Domingo, 15 de Fevereiro de 2004
O dia de reflexão
Às vezes lembro-me dos dias de reflexão.
Essa instituição de origem para mim desconhecida e que se constitui em exutor da paranóia propagandística.
É certo que a coisa por aqui já foi pior. Já não se mata e morre em guerras eleitorais. Por agora.
Durante muitos anos, tive o privilégio de conseguir sucessões de dias desses.
Sem o ruído das televisões, sem o cheiro dos jornais, sem os sinais horários da rádio.
Sem que fosse obrigado a escutar as peripécias da última telenovela fosse ela real ou ficcionada.
E a propaganda desnorteada de políticos e de comerciantes.
Só atento aos sons que me interessavam. Rodas de carroça ao acordar, buzina de peixeiro a meio da manhã, roncos de autocarros pela tarde e os chocalhos variados de gado doméstico combinados com cantos tardios de galo ao sol-posto.
Sinais vitais e pouco ruído.
A falta que me fazem.


por MCV às 22:06
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2 comentários:
De Anónimo a 16 de Fevereiro de 2004 às 01:28
É verdade que os há.
Mas às vezes, estamos tão ligados a certos locais e memórias que o resto parece de menos.
Bizarrias...Manuel
(http://gasolim.blogs.sapo.pt/)
(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 15 de Fevereiro de 2004 às 22:30
Mas ainda há espaços assim e não muito distantes das grandes urbes. É preciso descobri-los porque nos são necessários e, uma vez descobertos, devolvem-nos a consciência da sua importância e necessidade. ;)
safro
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(mailto:safro@sapo.pt)


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