Sábado, 14 de Fevereiro de 2004
A natureza e o homem


Parece pouco provável que alguma vez tenham saído do planeta Terra objectos que não tenham sido criação humana. Quem estivesse a observar de longe a pequena esfera, envelheceria* até ver sair dela uns mísseis fumegantes. A ser verdade a primeira afirmação, a mais exuberante manifestação de vida (seja lá o que isso fôr) para o exterior foi obra de uma só espécie. O que merece alguma reflexão. Não vou repetir o que já disse sobre a natureza humana. Mas a verdade é que o homem se auto-intitula espécie dominante pelo simples facto de a sua percepção lhe proporcionar o espectáculo da sua própria criação. Vê o planeta transformado pela sua mão e conclui. Mesmo que não contabilize dentro de si os micro-organismos (in) ou dependentes que lhe proporcionam a vida. E tudo o resto. O homem é apenas uma pequeníssima parte da vida. Tal como a vida é uma pequena parte da natureza. Mas o homem pretende lutar contra a natureza como se não fosse parte dela. Pretende perpetuar-se sem cuidar de verificar que um sem-número de espécies soçobrou. Admite até extinguir outras espécies, directa ou indirectamente, considerando-se a salvo. Talvez este instinto seja comum a todos os outros seres vivos. Talvez até alguns deles tenham essa consciência. Mas é quase o mesmo do que a mente a lutar contra o corpo. Como se não fizesse parte dele.




* É uma mera figura de estilo. Mas há uma escala adequada em que alguém, humano ou não, vendo ou captando os sinais de outra forma, dotado de vida perecível, com crescimento, apogeu e decadência, veria os tais mísseis na velhice.



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por MCV às 21:08
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