A ser verdade o que se diz por aí sobre o erro de uma funcionária do CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes), não me surpreende.
Diz-se que este centro é formado por “médicos e operadores de central com formação específica para efectuar o atendimento, triagem, aconselhamento de pré-socorro e selecção e accionamento dos meios de socorro mais adequados a cada ocorrência, preparando a recepção hospitalar dos doentes”.
Não me pronuncio sobre a capacidade de avaliação médica destes operadores. Suponho que os médicos presentes assegurarão essa parte.
Agora sobre a capacidade de orientar as viaturas de socorro posso dizer algumas coisas.
Não é a primeira vez que há notícias de veículos enviados para a Senhora da Asneira por estes funcionários.
Tão importante é uma boa – dentro do possível - avaliação médica à distância como a rapidez do resgate. Ora esta pode ser seriamente comprometida por gente incapaz de determinar com rigor a localização do doente.
E isto não é tarefa para qualquer um. Sabemos todos que não há manual de procedimentos ou curso de formação que dê a quem não o tenha, sentido de orientação. E nisto incluo a capacidade de apontar num mapa de Portugal ou de uma região em particular, um sítio, uma localidade, a partir muitas vezes de indicações mal dadas, fornecidas por alguém que não é capaz de o fazer melhor ou não o faz porque está em estado de ansiedade. Sabemos todos isso.
É porque insistimos em não avaliar capacidades específicas de cada um que temos quase sempre a peça inadequada na engrenagem.
Uma questão de organização, afinal. Que nos faz estar tanto tempo de serviço e ser tão pouco eficazes.
No meu caso particular, apenas uma vez liguei para o antigo 115. O toque de chamada ficou largos minutos do outro lado. Desisti. O dono da casa de onde efectuei a chamada deu-me de pronto o número local dos bombeiros. Em menos tempo do que levei a voltar ao local do acidente, já eles estavam ao pé de mim.
Sou um admirador dos bombeiros. Sobre o 112, não tenho opinião favorável.